CBN Tocantins
CPI DO PREVIPALMAS | 22 de Maio de 2019
Ex-presidente do PreviPalmas diz que assinou documentos sem ler
Foto: Divulgação / Secom
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O ex-presidente do PreviPalmas, Maxcilane Machado Fleury, assinou diversos documentos relacionados ao instituto, sem saber do que se tratavam. A revelação foi feita nesta terça-feira, em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, que apura a aplicação de R$ 58 milhões em fundos de alto risco. O interrogatório do ex-gestor durou cerca de quatro horas e ocorreu na Câmara Municipal de Palmas.  Ele negou ter conhecimento de diversos documentos apresentados e citados pelos membros da CPI, apesar de sua assinatura constar nos papéis. Uma das folhas, inclusive, estava em branco, mas mesmo assim foi assinada. O documento em questão declarava que o PreviPalmas era qualificado para os investimentos feitos, mas o ex-presidente não soube responder quais critérios tornavam o instituto qualificado. E afirmou “não tinha e não tenho competência técnica para dizer o que era ou o que não era. Não tinha competência sequer para questionar”.  Fleury também disse, em depoimento, que à época que foi presidente do instituto de previdência, possuía em sua sala uma “mesa de documentos”, que reunia os processos elaborados pelos outros setores do PreviPalmas e que precisavam de sua assinatura. Ele disse acreditar que todos os documentos colocados ali seguiam a tramitação legal e não possuíam irregularidades, mas não soube informar quais eram os setores que elaboraram os processos relativos aos investimentos milionários. O ex-gestor confirmou que a indicação para a presidência do instituto era feita por partidos políticos aliados do ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha. Informação que também foi obtida durante o depoimento de Amastha à CPI no ano passado. Já em relação a escolha do diretor de investimento do PreviPalmas, Fábio Martins, demitido assim que veio à tona o escândalo, Fleury disse que foi uma escolha técnica feita por análise de currículo.

O outro lado

O depoimento do ex-presidente era o mais esperado pela comissão. Maxcilane Machado Fleury ficou à frente do PreviPalmas de fevereiro de 2017 a março de 2018, quando pediu demissão logo após uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado para o seu afastamento. Para o presidente da CPI, vereador Milton Neris (PP), o depoimento não trouxe as informações esperadas. “Ele deixa claro que não sabia de nada, que assinou toda a documentação e fez um aporte de R$ 58 milhões de reais sem saber”, declarou.  E concluiu: “Essa CPI no dia de hoje fica triste em saber que em um lugar tão importante, um lugar que tem a responsabilidade de cuidar de mais de R$ 600 milhões, tem pessoas que ou acham que nós somos bobos ou simplesmente não tinha responsabilidade nenhuma sobre aquilo que estava fazendo”.  O prazo para a conclusão do relatório pela comissão termina em 7 de julho.

 Por Ananda Portilho.

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