CBN Tocantins
PALMAS 30 ANOS | 21 de Maio de 2019
Passeios de flutuantes: uma tradição entre os palmenses; saiba como surgiu
Foto: Reprodução / Sesc Tocantins
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Aos 42 anos, seu Elias Coelho de Souza é um dos administradores de flutuantes mais antigo de Palmas. Natural de Guaraí, na região central do estado, ele viu na capital do estado novo uma oportunidade. A data exata em que os primeiros flutuantes foram colocados no lago de Palmas é uma lembrança desconexa entre os personagens dessa história. Mas a unanimidade entre eles é de que as primeiras embarcações chegaram antes mesmo do lago encher por completo.

Foi lá no ano de 2002, quando surpreendentemente a lagoa que deveria levar até dois anos até ficar completa, já possuía um volume de água satisfatório em nove meses. Conhecido de longa data do seu Elias, o administrador Roniele Rodrigues também viu o lago encher e o passeio de flutuantes evoluir para o modo que conhecemos hoje. Palmas conta, hoje, com 46 embarcações. Cerca de 90% delas são utilizadas para fins comerciais, mas ainda existe uma pequena parcela de proprietários que mantém os flutuantes para o lazer familiar. Ancorados na Praia da Graciosa, os barcos esperam as famílias, os amigos, as festas, as músicas… Um passeio que virou a cara da capital tocantinense. Tem até um ditado por aí que diz que para ser palmense é preciso vivenciar uma experiência dessas.

A maior procura pelo aluguel de flutuantes é no período de estiagem. Julho costuma ser o melhor mês para quem trabalha com os passeios, já que além do calorão, também é período de férias. Há cerca de 15 anos a atividade começou a ser explorada economicamente. A abertura desse mercado foi percebida aos poucos por quem já tinha uma embarcação àquela época. E se de um lado tem diversão, na outra ponta tem o sustento familiar. Além de ser um importante cartão postal para a cidade, o lago de Palmas e o passeio de flutuantes também são fonte de renda para algumas famílias, com a do seu Roniele, que apareceu no começo desta reportagem.

Ao longo dos anos e com o aumento da procura pelo aluguel das embarcações, alguns problemas também começaram a aparecer. Uma denúncia feita ao Ministério Público Estadual do Tocantins indicou que a exploração da atividade estava trazendo prejuízos ambientais para o lago. Este ano, o órgão propôs um Termo de Ajustamento de Conduta a todos os proprietários de embarcações da capital. Todos os dejetos produzidos durante os passeios, não poderão mais ser depositados no lago de Palmas.

O titular da 24ª Promotoria de Justiça da Capital, que trabalha em defesa do meio ambiente, Fábio Lang, ressalta o que o acordo prevê. Apesar dos ajustes nas embarcações que deverão ser feitos em um prazo de 30 dias a partir da assinatura do documento, se engana quem acha que a mudança incomodou os proprietários dos flutuantes. A preocupação do empresário Marco Antônio é garantir que os passeios de flutuantes como a gente conhece ainda durem por muito tempo.

Até a última sexta-feira, 20 proprietários das embarcações já tinham assinado o termo proposto pelo MPE. Para o promotor de justiça Fábio Lang, a fiscalização deverá ser feita pelos órgãos ambientais competentes com a ajuda da população. Ele propõe a criação de um selo verde, que deve ser respeitado. Com a garantia de que o meio ambiente está sendo preservado, o que resta é o empenho para a perpetuação da tradição palmense dos passeios de flutuantes e o retorno à luz do pôr-do-sol mais bonito que já se viu. 

Por Ananda Portilho.

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