CBN Tocantins
SEM SOLUÇÃO | 18 de Fevereiro de 2019
Tocantins tem mais de 800 pessoas desaparecidas e casos emblemáticos continuam sem solução
Foto: Reprodução / TV Anhanguera
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De 2016 até o começo deste ano 829 pessoas desapareceram no Tocantins. O número foi disponibilizado pelo Núcleo de Coleta e Análise de Estatísticas da Secretaria de Segurança Pública. Esses são casos que nunca tiveram uma resolução, mas que a Polícia Civil continua investigando. Para que seja notificado um desaparecimento à corporação não há determinação de tempo ou modo.

Os números disponibilizados pela SSP não conseguem dar uma definição real de quantos desaparecidos são homens e quantas são mulheres porque as informações estão sendo transferidas de um sistema para o outro, mas segundo os dados fornecidos, somente este ano, 17 pessoas já foram dadas como desaparecidas no Tocantins. Destas, 11 do sexo feminino e 2 do sexo masculino. Outras quatro vítimas não tiveram todas as informações lançadas no novo sistema. Ainda segundo o delegado Israel Andrade, a ocorrência de desaparecimento pode ser comunicada a qualquer unidade de polícia civil.

Entre os casos emblemáticos do Tocantins, um dos mais recentes é o do desaparecimento do motorista Bruno Jales Ribeiro, de 33 anos de idade, que desapareceu em outubro, segundo informou a família à polícia. O carro dele foi encontrado uma semana depois, na Praia do Caju, em Palmas. O caso está sendo conduzido pela delegacia de homicídios da capital por causa dos indícios que foram encontrados, como o aparecimento do veículo.

A maior parte das pessoas desaparecidas, ainda de acordo com levantamento da Secretaria de Segurança Pública, é de mulheres. Dos 829 casos em investigação, sendo 783 definidos por sexo, mais de 400 vítimas são mulheres. O levantamento da SSP não faz a diferenciação de quantas dessas vítimas são crianças. Dentro das estatísticas femininas está a menina Laura, de 8 anos, desaparecida em janeiro de 2016 e que nunca foi encontrada. Por telefone a reportagem da CBN Tocantins tentou falar com a família de Laura. A avó da criança, Jussandra Pereira, disse apenas que tem fé que a menina vai aparecer, mas não quis gravar entrevista. O caso de Laura não está sendo investigado pela delegacia de homicídios. O delegado destaca que na maior parte dos casos investigados pela sua delegacia os desaparecimentos estão relacionados a crimes de homicídio.

Entre 2016 e o começo de 2019, foi o ano de 2017 que registrou a maior quantidade de casos de desaparecimento no Tocantins, com 299 vítimas. Em janeiro deste ano o Executivo Estadual sancionou uma lei que obriga a concessionária de água do Estado, a BRK Ambiental, a dispor de espaço nas faturas para o fornecimento de informações de pessoas desaparecidas na capital. A lei já está em vigor, mas o documento estabeleceu um prazo de 90 dias para a empresa se adequar. Por meio de nota a BRK Ambiental disse que apoia a iniciativa e se coloca à disposição para contribuir com a causa, seja por meio de suas faturas ou de outras formas de divulgação de pessoas desaparecidas e dos canais de contato para a população.

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