CBN Tocantins
ATÉ LOGO TIÃO! | 26 de Fevereiro de 2021
No programa desta sexta-feira ouvintes conferiram homenagem à Tião Pinheiro
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

No programa cbn tocantins desta sexta-feira, 26, o ouvinte acompanhou uma homenagem à tião pinheiro, que estará a partir de segunda-feira,01º, em outros desafios. Participaram da homenagem, a equipe da cbn tocantins, a âncora do bom dia tocantins, jocyelma santana, o chefe de redação da tv anhanguera no tocantins e responsável pelo telejornalismo no estado, adriano fonseca, antecipou os destaques da 1° edição do jornal, o coordenador do jornal do tocantins, lailton costa e nossos ouvintes. Ouça a íntegra da homenagem e os poemas “Nunca a saudade foi tão testada” e “Depois da curva”.

 

 

 

Nunca a saudade foi tão testada 

 

Tião Pinheiro-21.02.2021


Em tempos de distâncias
Nunca a saudade
Foi tão testada:
Saudade de quem é,
Mas não está,
Saudade de quem foi,
Mas não ficou
E saudade até de quem não era,
Mas poderia...

Em tempos de perdas
Nunca a saudade
Foi tão avivada:
Saudade do que sim,
Mas não vingou,
Saudade do que não,
Mas foi lição
E saudade até do que não viveu,
Mas sobreviveria...

Em tempos de distâncias
Nunca a saudade
Foi tão presença
De todas as ausências;

Em tempos de perdas
Nunca a saudade
Foi tão lembrança
De todos os apagões;

Em tempos de incertezas
Nunca a saudade
Foi tão desejo
De todos os encontros
De todos os abraços
De todos os beijos
E, sim, de amor
De todo e intenso amor
A se descolar da saudade
A se apagar da lembrança
Pra desfazer solidões
Pra ser morada e alegria
Pra ser... 
Depois da curva

 


                            Tião Pinheiro-26.08.2018-Palmas

 


Um dia,
Imberbe e ingênuo
E na mochila sonhos
E mais sonhos,
Me joguei
Estrada afora
Rumo ao desconhecido
De mim e de tudo;

Um dia,
Incerto e inseguro
E na sacola desejos
E mais desejos,
Me lancei
Trieiro afora
Rumo ao distante
De mim e de todos;

Um dia
Imaginando o mundo
Com a temperatura única
De minha aldeia,
Imaginando a lua
Com seu brilho ímpar
Apenas em meu quintal,
Fui abrir horizontes
Em outros amanheceres
Fui garimpar estrelas
Em outras galáxias
E fui rasgar caminhos
Em terras alheias;

Um dia
Imaginando as pessoas
Com a verdade singular
De meu torrão,
Supondo o abraço
Como intento sincero
Da gente do meu lugar, 
Fui adquirir saberes
Em novas lições
Fui cavucar belezas
Em controversos cenários
E fui tentar alianças
Em cantos de ninguém;

Tempos depois
Dessa estrada afora
Dessa luta fervorosa
E de tantos sins e senões,
Aqui me encontro
Ainda com interrogações
E a me perguntar
Sobre razões do não querer,
Ainda com desconfianças
E a me questionar
Sobre motivos do não crer,
Ainda com incompreensões
E a me deparar
Sobre questões do não amar;

Um dia,
Não mais imberbe
E nem tanto ingênuo,
Não mais incerto
E nem tanto inseguro
E depois das curvas
De estradas afora,
Aqui me vejo
Tentando acordar os sonhos
Da mochila,
Tentando atiçar os desejos
Da sacola,
Tentando renascer a crença
Que em mim incutiu
Minha aldeia,
Que em mim plantou
Minha gente
E que me revelaram –
Minha aldeia e minha gente - 
Que a temperatura do mundo
Não é a única de meu torrão,
Que o brilho da lua
Não é particularidade do meu quintal
E que a vida, certa ou sinuosa,
Provoca o sim e o não
Traz o quente e o frio
Mostra o erro e o acerto
E é pra ser perseguida
E é pra ser sentida
E é pra ser vivida - 
Pelo menos até não mais...

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